
As molas estão entre os componentes que mais exigem precisão em um sistema ferroviário. Instaladas nos truques de vagões e locomotivas, elas trabalham continuamente sob cargas elevadas e ciclos repetitivos, contribuindo para a distribuição dos esforços, a estabilidade do veículo e o comportamento do material rodante durante a circulação.
Por isso, escolher ou fabricar uma mola ferroviária não significa considerar apenas seu tamanho ou formato. A aplicação exige uma combinação de material, geometria, tratamento térmico, capacidade de carga, rigidez, curso de trabalho e resistência à fadiga. Esses fatores precisam estar de acordo com o projeto do truque e as condições de operação.
Qual é a função das molas nos truques ferroviários
O truque é um conjunto mecânico responsável por fazer a ligação entre o veículo e a via. Nele, diferentes componentes trabalham de forma integrada para suportar as cargas do vagão ou da locomotiva, acompanhar as irregularidades da via e manter o comportamento adequado do material rodante.
As molas fazem parte desse sistema de suspensão. Durante a circulação, elas sofrem compressões e deformações de acordo com as cargas aplicadas e ajudam a controlar os esforços transmitidos pelo veículo.
Na prática, a suspensão precisa responder a situações diferentes ao longo da operação. Peso transportado, velocidade, condições da via, características do truque e frequência dos ciclos influenciam o comportamento do conjunto. Uma mola com características inadequadas pode alterar a resposta da suspensão e aumentar os esforços sobre outros componentes.
É por isso que a especificação precisa considerar o sistema como um todo, e não apenas a peça isoladamente.
Tipos de molas utilizados em aplicações ferroviárias
Existem diferentes tipos de molas utilizadas na indústria ferroviária. Entre elas estão as molas helicoidais de compressão, que têm ampla aplicação em sistemas de suspensão, além de outros formatos destinados a funções específicas.
A CBFA é especializada na fabricação de molas helicoidais de compressão e possui uma linha destinada ao setor ferroviário. As aplicações incluem molas para truques, cunhas de fricção, amparo de balanço e aparelhos de choque e tração de vagões e locomotivas.
Dentro dessa linha estão modelos como as molas internas e externas AAR D2, D3, D4, D5 e D7, além das molas AAR D6 e D6A. A empresa também fabrica molas internas e externas para diferentes configurações de cunhas de fricção e molas destinadas a sistemas de amparo de balanço.)
A escolha entre diferentes configurações depende da aplicação, do projeto do truque e dos requisitos estabelecidos para o equipamento.
Materiais e características que influenciam o desempenho
O aço utilizado na fabricação de uma mola ferroviária precisa apresentar características compatíveis com o nível de esforço ao qual o componente será submetido. Entre os requisitos importantes estão alto limite de elasticidade, resistência aos esforços elásticos e resistência à fadiga.
A empresa fabrica suas molas ferroviárias a partir do enrolamento a quente de barras de aço, seguido por processos de têmpera em óleo e revenimento. A empresa também informa que trabalha para garantir uma superfície lisa e livre de descarbonetação, condição importante para preservar o comportamento do material sob ciclos de carregamento.
A geometria também interfere diretamente no comportamento da mola. Diâmetro do arame, diâmetros interno e externo, número de espiras, altura livre e altura sob carga são alguns dos parâmetros que precisam ser definidos conforme a aplicação.
Duas molas com dimensões semelhantes, por exemplo, podem apresentar respostas diferentes quando submetidas à operação. Material, processo de fabricação, tratamento térmico e características geométricas atuam em conjunto para determinar o desempenho do componente.
Especificações precisam considerar a aplicação
A taxa de rigidez é um dos parâmetros importantes na especificação de uma mola ferroviária. Ela está relacionada à relação entre a carga aplicada e a deflexão produzida no componente.
Além da rigidez, o projeto deve considerar capacidade de carga, curso de trabalho, espaço disponível para instalação, características do truque, frequência dos ciclos e condições de operação. A resistência e a vida em serviço também entram nessa avaliação.
No Brasil, a ABNT NBR 17133:2023 estabelece requisitos mínimos para a classificação de molas helicoidais de suspensão de truques ferroviários. No cenário internacional, normas e especificações técnicas também tratam de características de projeto, materiais, requisitos mecânicos, qualidade, ensaios e condições de fornecimento para molas helicoidais utilizadas em veículos ferroviários.
Isso reforça a importância de trabalhar com especificações técnicas precisas e processos de fabricação controlados.
A experiência da CBFA na fabricação de molas ferroviárias
A CBFA fabrica molas para vagões e locomotivas desde 2022 e integra essa atividade a uma estrutura mais ampla de soluções para o setor ferroviário, que inclui eixos, rodeiros, serviços de montagem, manutenção, recuperação e usinagem.
Na fabricação de molas, o controle envolve diferentes etapas. Entre elas estão conformação, tratamento térmico, shot peening, controle dimensional, pre-set, inspeção superficial por partículas magnéticas, verificação das características mecânicas, pintura e rastreabilidade. A combinação desses processos permite verificar se o componente mantém as características especificadas para sua aplicação.
A CBFA também trabalha de acordo com requisitos normativos nacionais e internacionais aplicáveis ao setor e possui certificação ISO 9001:2015, relacionada ao seu sistema de gestão da qualidade. A empresa mantém ainda certificações AAR para outras frentes de sua atuação ferroviária, como fabricação de eixos e manutenção de rodeiros.
Molas que fazem parte de um sistema maior
Uma mola ferroviária não deve ser analisada isoladamente. Seu desempenho está diretamente relacionado ao projeto do truque, ao tipo de veículo e às condições em que o material rodante será utilizado.
Por isso, fabricar o componente exige conhecer não apenas o processo produtivo, mas também as características da aplicação. Vagões de carga, locomotivas e outros equipamentos podem apresentar diferentes necessidades de carga, suspensão e configuração.
É essa visão integrada que orienta a atuação da CBFA. Ao combinar conhecimento sobre materiais, processos de fabricação, especificações técnicas e aplicações ferroviárias, a empresa desenvolve molas para diferentes configurações e necessidades do setor.
Para uma indústria que depende de confiabilidade, disponibilidade e desempenho dos ativos, contar com componentes fabricados de acordo com requisitos técnicos específicos é parte importante da manutenção da operação ferroviária.
CBFA – Trazendo soluções para seus negócios.














